| Zambra, uma festa mourisca |
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| Escrito por Antônio Benega |
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A palavra Zambra vem do árabe marroquino e significa inicialmente “festa”, mas deriva especificamente do nome de um instrumento musical chamado zâmara no Marrocos e Tunísia; Zamr, no Iraque; Zumara no Egito e Mizmar na Palestina. E vem a ser uma flauta dupla, ou clarinete feito de varios materiais como junco, osso de aves, ou cana. No Líbano é conhecido como “Mijwiz” e é presença constante na musica árabe em geral. Há também que citar as palavras em hebraico: Zémer significa Cantor, e as derivações Mizmor, salmo, e Zamir o Rouxinol. Todos fazem alusão ao som estridente do instrumento musical ou a forma alegre com que é tocada a musica, seja sagrada ou profana. Daí a latinização de Zamra para Zambra que viria a designar o barulho feito por certos instrumentos musicais, e claro, o barulho de uma multidão agitada.
Na Espanha, em especial na província de Granada, se denominava assim uma festa mourisca com musica e dança, dai ter similaridades com a dança do ventre. Mais tarde, o nome foi usado para uma festa cigana que, hoje em dia, perdeu seu caráter improvisado e é realizada como uma dança para os turistas nas famosas cavernas de Sacromonte em Granada. Foi proibida na Espanha durante uma época por ser considerada uma dança pecadora , devido a seu forte apelo sensual. Como dança a Zambra é muito antiga. É caracterizada pelo seu acompanhamento do canto, da guitarra (às vezes um alaúde), pandeiros e castanholas, que apesar de marcarem um ritmo vivo e alegre soam monótonos, o que é uma clara indicação de suas raízes folclóricas. Tradicionalmente se dançava descalça com a blusa amarrada com um nó debaixo do busto e saia larga com babados a altura do quadril deixando o umbigo a mostra. Mas hoje em dia com a influência do flamenco estes elementos foram se adaptando ao modo de se vestir e interpretar característicos da dança flamenca, com sapatos e trajes mais elaborados. A Zambra (canto e dança) é composta por três outros ritmos: a Alboreá, a Cachucha e a Mosca. Todos eles simbolizam as diferentes fases de um casamento cigano. A Zambra se tornou popular nos anos quarenta e cinqüenta por Manolo Caracol e Lola Flores, e está muito bem adaptada para representações teatrais. Seu compasso é de 4/2, derivado do tango flamenco, porém mais lento o que lhe confere uma “sensualide” rítmica que a difere de outros bailes dentro da imensa variedade do flamenco.Por isso ser considerada uma musica aflamencada (isto é, que sofreu alterações resultantes da influência de flamenco)ao invés de se poder considerá-la um canto flamenco por exigência. Versões de zambras orquestradas têm aparecido desde a década de quarenta com musicas como La Salvaora e La Niña de Fuego. No meio flamenco de hoje a zambra não é um estilo muito praticado a despeito da possibilidade que ele oferece para os artistas de exibir seu talento, salvo criações feitas para espetáculos com um tema definido adaptando-a a um ritmo mais forte, mas sem perder a sensualidade que é sua característica principal.
Antônio Benega - Bailarino Flamenco há mais de 10 anos de experiência com apresentação no Brasil e Espanha. Também é professor de Puilates. E-Mial: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. |



